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Chamo-me Manuel Blanc. Sou psicólogo clínico, com formação em psicanálise e etnopsicanálise. Tenho um espírito curioso, empático, analítico e literário, que naturalmente se reflete no modo como trabalho.
Ao longo deste site poderão encontrar diferentes possibilidades de perceber, com mais detalhe, como penso a prática clínica e se vos faz sentido proporem-se a ser pensados por mim.
Quase todos os sentimentos e sensações de que não gostamos são inevitáveis (dor, frustração, ansiedade, tristeza…), vivermos completamente reféns deles, não. Enquanto psicólogo procuro ajudar no processo de condução de cada sentimento no sentido em que o metal consegue conduzir e aproveitar certas quantidades de calor que o papel não consegue.
Nos processos terapêuticos de que faço parte, acredito que me compete ser muito mais um facilitador ou condutor, alguém que ajuda a dar nome, importância ou a relativizar o que nos acontece, alguém que está lá para dar força ao que precisamos ou queremos continuar em nós, que ajuda a lutar contra o que queremos ou precisamos que acabe, do que alguém que tem um ideal de vida academicamente fundamentado e que do alto e autoridade do seu diploma o tenta transmitir indiferenciadamente. No Fundo, procuro ser uma espécie de alfaiate que vem faltando na psique de quem me procura.
Acredito, portanto, que se deva respeitar a forma que o paciente nos dá. Na figura do terapeuta tende-se a procurar alguém de quem se precisa, alguém com quem se possa falar de emoções e sentires que são sentidos como perigosos ou destrutivos (por exemplo). Essa responsabilidade não raramente acarreta um peso que aqueles que caracterizam o nosso círculo pessoal não querem ou percebem como carregar. Peso esse que estou treinado e procuro aprender a carregar em cada relação clínica.
Acredito também que se pode esperar de mim e de muitos psicólogos, uma fidelidade e uma estabilidade incomum, ambas baseadas numa ética profissional especializada e numa permuta simples: em troca da moeda, quem paga pode esperar receber do psicólogo um tipo de generosidade emocional raro, que não se precisa de devolver. É neste princípio de generosidade emocional não recíproca que se encontra um dos grandes elementos diferenciadores desta relação em comparação com outras.
Não é, no entanto, como se essa generosidade signifique que se esteja preparado para fazer os mesmos sacrifícios que se entende que por exemplo os pais estão obrigados a fazer, mas isso não quer dizer que não sejamos mais generosos em campos distintos. A grande diferença, está no facto de que um psicólogo competente não conceder si próprio o direito de reagir a uma ofensa ofendendo de volta; de reagir ao tédio evitando-o; de reagir ao que percebe espontaneamente como o defeito do outro rejeitando-o ou atacando-o de modo instintivo, como tende a acontecer até nas nossas melhores relações. É nesse sentido também que o espaço formado entre psicólogo e paciente tem possibilidades únicas: nele, tem de haver lugar para o que não há lugar fora deste espaço, tem de haver espaço para uma nova versão de nós mesmos e uma qualidade de feedback superior. Se tudo isto se verificar, acredito que se tenda a experimentar sempre alguma forma nova de sucesso.
Todos fomos crianças, quase todos fomos adolescentes, mas quase nunca somos totalmente adultos. Na idade adulta existem muitas maneiras de ser adulto que são um pouco travestidas: somos muitas vezes adultos porque é esperado de nós sê-lo, porque temos responsabilidades, porque dependem de nós de mais maneiras do que aquelas de que dependemos dos outros; porque se deixa de perguntar e preocupar com o que sentimos para passar a exigir que sejamos “adultos”, mesmo que muitas vezes não nos sintamos tão adultos quanto gostaríamos.
Há poucas coisas mais difíceis de definir em psicologia do que o significado de ser adulto. Pois se por um lado existem uma série de ideais sociais e até teóricos que se têm sobre o que significa ser adulto, pouco se escreve sobre as perdas pessoais que só ocorrem quando se é adulto.
Quanto mais novos somos, mais a nossa identidade é definida pela idade que temos; quanto mais velhos ficamos, pelo menos até uma certa idade, mais o nosso íntimo se vai separando da sua idade. Essa separação pode ser difícil e verdadeiramente solitária. A maneira como muitas vezes estamos em conflito connosco e com os outros deixa de estar nos guiões sociais; já não podemos descontar o peso dos nossos erros na idade que temos, pelo contrário, quando em adulto se erra, desrespeita-se o que a nossa idade já nos deveria ter feito aprender e não fez. Dos adultos muitas vezes não se esperam seres humanos, mas sim, seres competentes. Convém, no entanto, referir, que só em adulto se conquistam certas coisas, só em adultos podemos normalmente criar o poder para mudar a nossa vida a partir das escolhas que fazemos, do que desenhamos em nós, só em adultos podemos compreender a criança e o adolescente que fomos, os pais que tivemos, porque sentíamos, e sentimos o que sentimos.
Depois de algumas sessões, o paciente começou a ser mais capaz em certos aspetos da sua vida, começou a ser menos passivo perante certas frustrações, deixou de as conter de modo militar, e fez justiça em algumas das relações em que era e se sentia subjugado. No entanto, para o poder fazer também teve de se desfazer de algum tato social ou emocional que o seu estado insatisfatório produzia, e nem que fosse, porque conseguiu finalmente desistir de uma pretensão forçosamente frustrante de controlo absoluto, passou a aceitar saudavelmente correr o risco de ser injusto e inadequado em certas situações. Deixou também de estar tão dependente da validação que necessitava de ter de todos os outros, e conseguiu finalmente deixar de se crucificar pelas características que alguns representavam como defeitos, até porque existiam outros que as representavam como qualidades.
Sentiu-se mais livre, capaz de lutar por alguém em si que admira, de se focar e investir de maneira mais segura naqueles que são importantes. Ficou entusiasmado consigo e com a sua vida, sentiu-a a ir de vento em popa, sentiu-se estranhamente invulnerável, num certo momento achou até desvendado o grande mistério de toda sua dor mental. Mas no meio disto tudo, sem que pudesse antecipar, perdeu mais algum do tato social que seria aconselhável ver perdido, ultrapassou um limite que até então nunca tinha ultrapassado, e foi repreendido pela primeira vez no trabalho por um tipo de erro que nunca tinha cometido. Como resultado, imaginou que poderia ficar sem a promoção que sentia como certa e viu pela primeira vez o preço de ter mudado da maneira que queria ter mudado. Entrou em pânico, culpou-se em demasia, culpou-me a mim também («e com razão»), mas passadas umas semanas, apesar do pânico e do que «efetivamente» tinha perdido, afirmava convictamente que nunca se trocaria pela sua velha versão.
Este não é só um cenário possível de terapia, como é também um cenário de considerável sucesso. Reflete bem os ganhos e perdas de uma transformação e as novas confrontações que surgem de uma reinvenção.
Na adolescência é-se com alguma naturalidade impossível. “Não ligues, ele está naquela fase em que é impossível”, quantas vezes não se ouve dizer isto sobre um adolescente?
Na adolescência o que é normal não é normal e, portanto, não é nada anormal enquanto adolescente estar-se intratável. Não é também anormal recordar mais tarde, com saudade este período da vida em que se ousa quase por decreto. Ousa-se no que se faz e acima de tudo no que se sente. A adolescência é quase por lei, um tempo em que abunda a falta de razoabilidade clássica, em que se está a braços com forças e mudanças corporais, sociais e referenciais que irrompem sem aviso na vida do adolescente e que facilmente geram considerável confusão.
A adolescência é um tempo em que se apresentam escolhas a tomar sobre um futuro muito difícil de representar, em que o sonho, o ideal ou a total descrença se impõem muitas vezes com desconcertante intensidade. É um período da vida que não tem como não ser difícil, em que até os mais bem encaminhados andam um pouco desalinhados. De resto, a saúde mental na adolescência muitas vezes pede esse desalinhar, ou não fosse muitas vezes a necessidade de compensar o que não foi vivido na adolescência fora da idade dela, uma necessidade muito mais difícil e custosa de satisfazer.
Sobre a adolescência, há muitas coisas que só adolescência sabe e ensina; mas não é porque a adolescência tem uma estranha e abrupta sabedoria, que a sua tempestade se vá levar sempre a bom porto. Não é também porque nela se reclama da incapacidade dos outros em ajudar, ou perante eles se procura afirmar uma independência omnipotente, que estes perdem importância neste período de transição. Antes pelo contrário, o outro é urgente na psique do adolescente: o desejo de ser aceite, as paixões assolapadas, as desilusões e exigências fervorosas para com os pais dizem-nos isso mesmo. É muitas vezes desta ambiguidade irresoluta que se gera também o pânico nos pais que perdem os filhos como os conheciam até então, e que os sentem muitas vezes como bloqueadores do seu processo de construção de identidade.
A adolescência é uma fase, em que se procura um novo círculo de pessoas de referência que nos influenciem. Essa necessidade de novas referências, cria muitas vezes uma maior desproteção, já que é normal que essas pessoas em que se investe não estejam tão implicadas em proteger, como estava a família. É muito nesse espaço intermédio que muitas vezes se quer um psicólogo; alguém que consiga por um lado introduzir uma dimensão estruturante, cuidadora e responsável, e por outro que também introduza possibilidades novas que permitam a construção de uma nova identidade.
Avaliação e projeto terapêutico
A clínica do adolescente costuma começar com uma sessão que pede a participação dos pais em conjunto com adolescente, na qual se expressam preocupações, se esclarecem questões, e em que tento reconhecer algumas dinâmicas familiares.
Essa reunião é depois seguida de um processo de avaliação psicológica, que costuma ter três sessões, uma de entrevista e duas de provas psicológicas.
Por fim, tem lugar uma sessão de devolução dos resultados da avaliação. Num primeiro momento, esta é discutida com o adolescente e num segundo com os pais e adolescente, momento em que procura definir em conjunto o caminho a seguir.
Aquilo que é esperado dos pacientes numa primeira consulta é que se expressem. Se se sentirem confortáveis e com vontade de expressar o assunto mais agudo que vos leva a consulta, é por onde se deve começar. Se for curiosidade e mistério pessoal o que leva à consulta, é sobre a vossa identidade, a vossa história que devem falar. Se para falar do que querem, precisam de se sentir confortáveis, é comigo e sobre as minhas ideias que devem falar.
A questão do pagamento é fácil: numerário, transferência, MB WAY, Revolut são tudo formas igualmente válidas.
Ás sessões a que se falta, elas são cobradas se o aviso não for feito com uma antecedência de 24 horas, embora depois haja algumas exceções e limites para o número de sessões que se pode cancelar com uma antecedência próxima das 24 horas.
Com o objectivo de simplificar a minha vida e a dos meus pacientes, gosto de estabelecer com eles um valor mensal abaixo do valor que pagariam se fossem a todas as consultas do mês, sendo esta modalidade opcional.
As consultas podem ser presenciais ou online.
Consulta
de Psicologia/Psicoterapia
Adulto ou Adolescente